Este Blog é um projeto de um livro que está sendo escrito aos poucos. Os capítulos mais novos vão surgindo aqui em cima. Os capitulos antigos estão mais lá para baixo.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
domingo, 1 de junho de 2008
CAP 13 : Zigomute na boca do Povo
| Depois das palavras proferidas pelo Padre Malaquias naquela missa, toda a religiosa população oeirense devota de Nossa Senhora da Vitória estava convicta de que Zigomute era culpado. Achavam que o Maltrapilho, ao invés de ter prevido que aconteceria alguma coisa ao padre, foi o mentor intelectual da "armação contra o mais importante membro da igreja". Bradavam pelas budegas e rodas de conversa que tinha o Zigomute arquitetado o plano com uma dessas "mulheres da vida". Ela teria feito o trabalho por alguns poucos trocados e, a favor de Zigomute, teria criado todo esse imbróglio com o nome do respeitado padre. Não sabiam citar o livro, os capítulos e versículos bíblicos que o condenavam na instância divina muito menos os artigos, alíneas e incisos do código penal que o enquadrava na instância jurídico-humana. Só tinham a absoluta certeza de que Zigomute era culpado e tinham que fazê-lo pagar pelo que ele havia feita com os valores éticos da igreja. Entre os frequentadores da igreja e os seguidores da fé cristã já era certo que Zigomute tentava contra a igreja. Além de "Molestar" a Santa vitória ao morar em seu ventre, ainda criava circunstâncias que punham em dúvida a moral da igreja. Os religiosos começaram a organizar um movimento AntiZigomute e iniciaram pela panfletagem em praça pública. Distribuíam panfletos com os dizeres: “Abaixo Zigomute! Fora adivinho! Deixa a estátua da Santa em paz!” E saíam pelas ruas com terços nas mãos e de mãos dadas evidenciando a união do movimento e a repetir apaixonadamente em procissão e em voz alta os dizeres do panfleto: “Abaixo Zigomute! Fora adivinho! Deixa a estátua da Santa em paz!” E clamavam a Deus para que ouvisse suas preces. E o Santo Deus não os ouvindo de imediato, resolveram então os organizadores do movimento pressionar o Padre para que tomasse alguma providência com relação ao profanador da Santa e da moral Cristã. Apesar de ter consciência de que foram suas palavras que incitaram e deram início a todo aquele movimento, não pretendia o pio Malaquias que aquilo tomasse tamanha dimensão. Movimentos como aquele poderiam chamar a atenção da imprensa estadual e por que não até da nacional. Repórteres bisbilhoteiros, sensacionalistas poderiam descobrir a real causa de tudo aquilo e a castidade do Padre Malaquias poderia ser colocada em dúvida. É óbvio que o precavido Padre Malaquias desejava e lutava pela expulsão de Zigomute da estátua da santa, e quiçá da Capital da Fé. Mas pretendia e articulava aquilo de forma silenciosa, de forma a não despertar questionamentos por parte de intelectuais ou de quem quer que fosse. Suas palavras de repulsa a Zigomute proferidas na Missa e dirigidas aos fiéis da santa eram apenas para alertar e garantir a adesão dos devotos para tão nobre causa. Só não imaginava e não queria uma adesão tão fervorosa. Com toda sua calma e sapiência, o Padre Malaquias apaziguou o movimento AntiZigomute prometendo aos fiéis resolver o problema pela via judicial humana, argumentando que não seria de bom alvitre colocar mais um embaraço nas mãos do atarefado Deus. Não que a causa fosse pequena e indigna da interveniência do Senhor. É que exatamente aquela poderia ser facilmente resolvida na Terra, pelas leis humanas, poupando de mais um fardo o tão fatigado Senhor Deus que a todo instante é solicitado para resolver os mais diversos problemas dos seus fiéis. Foi então o Padre Malaquias ter com o amigo de infância e agora nobre Juiz de Direito da comarca de Oeiras, o Doutor Antônio Teixeira de Pompeu. O Doutor Teixeira de Pompeu era tido por todo o jurisdicionado piauiense e por toda a população oeirense como virtuoso homem de princípios morais e religiosos, o que não haveria de se duvidar provindo de tão nobre família. Às vezes considerado duro em suas decisões, não deixava contudo de aplicá-las com justiça e honestidade, sempre respeitando a lei. --Então Doutor Teixeira , vossa magnânima inteligência já deve prever o motivo de minha humilde visita.-- Com essas palavras, Padre Malaquias cumprimenta o Juiz e introduz conversa: --Pois que sim meu caro Malaquias. Estava presente na Missa quando proferistes aquelas palavras, e minha esposa uma das organizadoras do Movimento Antizig... -- AntiZigomute. Apressou-se o padre em completar a palavra, na dificuldade que teve o Juiz em pronunciá-la. --Pois certo, AntiZigomute, minha esposa me pôs à par de tudo. Devo-lhe antes de tudo alertar-vos quanto à imparcialidade que me cabe nesse tipo de causa, pois que a imparcialidade é um dos princípios norteadores de todos os meus julgamentos. -- Sim, sim, ninguém questiona isso Doutor. --Assim dito e esclarecido, vamos ao caso. Deve ser do vosso conhecimento que um dos mandamentos da nossa respeitável Carta Magna e que doutrinariamente muito se discute se tal mandamento seria ou não cláusula pétrea, o que no meu entender de anos de experiência jurídica não tenho dúvida de que seja, é o da proteção absoluta à propriedade privada. Toda a nossa justiça tem como um dos pilares a propriedade privada, e convém a nós protetores da Constituição e da Justiça defendê-la. Pois bem, com relação à estátua de Nossa Senhora da Vitória cabe duas hipóteses, ambas favoráveis à vossa nobre causa. A primeira seria de que a estátua seria de propriedade exclusiva da Santa Igreja Católica Apostólica Romana, sob a proteção de nossa paróquia e que, neste caso, a justiça garantiria sem mais tardar o despejo do invasor denominado Zigo...Zigomute, reavendo a propriedade da santa para a igreja como é de direito. A segunda trata-se de que a estátua seria um bem público ou de uso comum. Também neste caso cabe ação civil pública de despejo, já que a presença do invasor e profanador de santas causa obstrução para os devotos da santa que para ali se dirigirem e inclusive constrangimento pela horripilante visão daquele maltrapilho e pelo mau cheiro que deve exalar quando de suas necessidades fisiológicas. Esclareça isso ao Advogado-procurador da igreja e dê entrada no processo. Convoque testemunhas de acusação e também de defesa, já que vivemos num regime democrático, para uma audiência afim de que eu melhor possa instruir o processo, a qual imbuída apenas de função esclarecedora e instrutora, prescindirá da presença do infrator Zigomute. O desfecho dessa causa, posso afirmar-lhe, não há de tardar. -- Claro, sim Doutor Teixeira . Estou muito agradecido pelos esclarecimentos. Trarei as testemunhas de que necessita e inclusive um dossiê que de uma vez por todas porá fim às criminosas, ao olhar de Deus e dos homens, atividades desse tal de Zigomute. --Traga-me por favor. --Que Deus o ilumine a uma sábia decisão. --Amém. ------------------------------- 90 % de Daniel MMFe / 10 % de Thompson | ||
sábado, 24 de maio de 2008
CAP 12 : Zigomute na boca do povo e do Padre
CAP 11 : A Primeira Previsão
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
CAP 10 : Os Brutos amam mais
domingo, 5 de agosto de 2007
CAP 09 : Os Brutos amam mais
sábado, 4 de agosto de 2007
CAP 08 : Os Brutos amam mais
domingo, 22 de julho de 2007
CAP 07 : A saga da porca continua
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sábado, 21 de julho de 2007
CAP 06 : Um pedaço de Zigomute, um pedaço de Dona Hosana...um pedaço de algo mais.
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CAP 05 : Os princípios Oeirenses
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quarta-feira, 18 de julho de 2007
CAP 04 : A Saga da Porca
| --Vai tu primeiro -- João Monte sussurando para pedro bandeira. --Não. Vai tu. E o empasse determina que os dois permaneçam do lado de fora. Zigomute olha para a porca, já entendendo a recusa implícita dos dois rapazes. Ela ainda continuava fazendo bastante barulho. --Desamarrem a porca e levem ela daqui -- diz serenamente o Zigomute. Havia um ar de mistério em torno do zigomute sobre o quanto ele era capaz de interpretar a natureza. Alguns naquela cidade guardavam um certo respeito sobre esse dom dele, mas a maioria fazia chacota e duvidava que um maltrapilho analfabeto que mora em cima do morro do leme fosse capaz de pelo menos saber se as nuvens escuras estão carregadas de água. No momento em que mandou desamarrar a porca, Zigomute parecia ter lido o desespero e sofrimento imenso nos olhos dela. Ele acreditava que os animais deviam cumprir uma função em vida. E naquele íntimo momento entre a porca e ele , notou que não era a hora dela morrer, nem muito menos servir de alimento aos humanos, mesmo que para isto ele tenha que perder o dinheiro do serviço que já não andava tão disponível nas últimas semanas. Aquela não era a primeira vez que o Zigomute dispensava o trabalho. --Desamarrem a porca -- Zigomute repete. --Ma, mas Zé ta talo tá preeeeecisando da porca hoje. A feira tá sem carne desde cedo da manhã-- João pondera, num esforço enorme que os gagos estão acostumados a fazer para falar quando estão nervosos. Pedro bandeira e João costumam fazer alguns bicos, e vez ou outra eles trabalham para Zé talo, um feirante mal humorado que trabalha com carnes. Zé talo tinha decidido não ir trabalhar aquela manhã, mas ao passar em frente à feira um amigo avisa que o carro que trazia a carne da colônia,uma cidade vizinha, distante a 20 Quilômetros de oeiras, havia virado na subida da ladeira que dá acesso à cidade e todo óleo do tanque havia derramado em cima da carne. Era a oportunidade que Zé Talo tinha de vender a porca Gorda que ele criava em seu própio quintal. --Desamarrem a porca, levem ela de volta e peça que Zé talo não mate -- mais uma vez Zigomute insiste. Pedro Bandeira e João não tinham o que fazer a não ser obedecer. E assim fizeram, desceram o 172 degraus com a porca em suas mãos e caminharam até a casa de Zé Talo a um Quilõmetro e meio dali. Virando a esquina da rua de Zé Talo eles avistam aquele senhor de chapéu de palha embaixo do pé de oitis numa cadeira de balanço. Era ele mesmo, Zé Talo. --Mas rapaz, num tou dizendo mesmo. Eu num mandei vocês me voltarem aqui com essa peste quarteada. Será possível? --Não seu zé -- João responde -- nois foi lá, mas Zigomute disse que num era pra matar a porca não. --E ele é o dono da porca, por certo? --Zé talo já com a face rosada-- essa besta-fera é minha, a feira tá sem carne e eu vou perder o dinheiro da semana. --Mas num é culpa de nois não, seu zé -- pedro bandeira ameniza. Zé talo já se contendo: --Tá bom. Amarra essa peste aí no pé de pau. Vocês num querem fazer o serviço não? João Monte responde imediatamente: --Não. Zigumute pediu pra deixar ela viva e nois num faz esse serviço não. --É! É melhor num fazer não -- Pedro bandeira complementa. Talvez, por ali ao redor do morro, Pedro bandeira e João Monte fossem as únicas pessoas que tivessem algum respeito em relação ao Zigomute. | ||
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domingo, 15 de julho de 2007
CAP 03 : A Mórula II
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CAP 02 : A Mórula
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CAP 01 : Zigomute : A lenda recomeça aqui
Acompanhe aqui a história de um personagem que se perdeu no imaginário popular oeirense e agora apareceu para algumas pessoas escolhidas contando sua história, com o desejo de reavivá-lo e remontar aos tempos gloriosos em que as mães chantageavam seus filhos na hora da refeição ameaçando-os em chamar o zigomute, caso exitasse em deixar um grão de arroz que fosse sobrando dentro do prato.Imagem: ALDO BONADEI -1962 | ||
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